Antes de “morrer”, porém, o Sol vai passar por outros estágios – e
vai inclusive aumentar de tamanho, o que será fatal para a Terra em
muito menos tempo: “apenas” 1,5 bilhão de anos.
Nos últimos 4,5 bilhões de anos, o Sol está em uma fase estável e vem
trabalhando como um grande reator que vem transformando o hidrogênio em
hélio em seu núcleo. Quando este hidrogênio terminar, em cerca de 1,5
bilhão de anos, o Sol começará a “queimar” suas reservas de hélio. Neste
período, aumentará de temperatura, e as camadas exteriores irão se
expandir.
A expansão provavelmente engolirá Mercúrio e Vênus – e possivelmente
até a Terra. Mesmo se nosso planeta modificar sua órbita e se livrar de
ser engolido, o que restar será totalmente modificado pela mudança de
temperatura – e não há chance de haver vida.

“O
Sol está consumindo o elemento hidrogênio no seu centro. Consumir,
aqui, significa que os núcleos de hidrogênio (H) estão sendo fundidos em
núcleos de hélio, o que libera energia. Quando a reserva de hidrogênio
se tornar escassa no centro do Sol, ele começará a fundir o material
numa camada mais externa ao seu centro. O centro, rico em hélio, quente e
denso, não terá reações nucleares. Pela maior produção de energia na
camada, e pela sua maior proximidade com a atmosfera do Sol, ela vai
aumentar muito de tamanho e vai se esfriar. Essa é a fase de gigante
vermelha”, explica o professor do departamento de Astronomia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Basílio Santiago.
Esta variação de tamanho do Sol deve levar cerca de centenas de
milhares de anos, e o seu raio irá se expandir até que o núcleo atinja
uma temperatura de 100 milhões de Kelvin, quando uma reação termonuclear
começará a transformar hélio em carbono. Quando esta reação começar, o
Sol se expandirá muito rapidamente para cerca de 1 mil vezes o seu raio
atual, que é de 700 milhões de km, ou o equivalente a 100 vezes o raio
da Terra.
Depois de alguns anos, ele voltará a ser de cerca de 100 vezes o raio
atual, permanecendo assim por cerca de 1 bilhão de anos, até o fim de
sua fase de gigante vermelha. Aí, enfim, o Sol vai começar a esfriar.
Segundo Santiago, quando o hélio se esgotar no centro, agora rico em
carbono e oxigênio, o Sol vai começar a queimá-lo numa camada mais
externa. Nesta fase, ele também vai perder muita massa. Quando não tiver
mais hélio para queimar em nenhuma das camadas, as reações nucleares de
fusão no Sol vão acabar.
“Aí, o que vai sobrar é uma região muito densa, quente e rica em
carbono e oxigênio, e com um pouco de hélio e hidrogênio residual. A
partir daí, será uma anã branca. Sem reações nucleares, esse objeto vai
perder energia na forma de luz emitida e, como resultado, vai se
resfriar com o tempo”, diz o astrônomo.

Santiago, porém, faz questão de ressaltar que vê todo o processo com
naturalidade. “O Sol só vai começar a fundir hélio daqui a uns 5 bilhões
de anos, no final da fase de gigante vermelha. Mas é verdade que ele
vai lentamente aumentar de luminosidade antes disso, o que vai levar ao
aquecimento da Terra a ponto de tornar a vida impossível. Isso deve
acontecer em 1,5 bilhão de anos aproximadamente. Pessoalmente não vejo
como uma tragédia. Assim é a natureza. Todas as coisas evoluem, têm
início, meio e fim”, afirma.